Entrevista com o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina

O surgimento de novas tecnologias e o aprimoramento de outras fez com que mercado de trabalho para jornalistas em Santa Catarina ampliasse ao longo dos anos. Novos veículos de comunicação nasceram como canais de televisão, rádios comunitárias, agências de comunicação e até mesmo jornalismo on-line. Segundo o atual presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Rubens Lunge, o mercado catarinense possui área para todos estes jornalistas, inclusive para os recém-formados. O único problema, para Lunge, continua sendo o piso salarial. Confira na entrevista com o presidente do Sindicato.

Caroline Stinghen: O Sindicato dos Jornalistas em Santa Catarina foi fundado em 13 de maio de 1955. Atualmente, quantos associados existem?
Rubens Lunge: O Sindicato possui hoje cerca de 1200 filiados.

CS: Qual é a realidade da obrigatoriedade do diploma para jornalista? O embate está sendo com o Governo Federal?
RL: Na realidade, o embate não é com o Governo, mas sim com os grandes monopólios de comunicação do país. Com uma decisão tomada por uma juíza substituta, foi concedido o acesso ao registro de jornalista sem a obrigatoriedade do diploma, que está na regulamentação da profissão de 1979. A decisão dessa juíza, a Carla Rister, beneficiou as grandes corporações de mídia e fez com que a classe de trabalhadores de jornalismo se revoltasse e lutasse pela obrigação do diploma. Os sindicatos de todo o país junto com a Federação Nacional dos Jornalistas, a FENAJ, entraram na justiça para requerer que essa liminar da juíza caia definitivamente, e tentar a obrigação do diploma de todos os que trabalham na área a partir no ano de 1979.

CS: O mercado de trabalho para jornalistas em Santa Catarina reflete a realidade da demanda? Existem empregos para todos os recém-formados?
RL: Na avaliação do sindicato há uma área muito grande de trabalho. Nós entregamos agora, nesses últimos dias, a carteira número 3000 de registro de jornalista. Ou seja, realmente existe uma demanda de jornalistas muito grande no estado. Mas ainda existe uma grande área em empresas tradicionais de comunicação, como o rádio e TV. São cerca de 250 emissoras de rádio somente em Santa Catarina. Só que claro, muitas dessas vagas são preenchidas por profissionais não qualificados, estes que apenas dizem que fazem jornalismo. Nos jornais impressos, na maioria dos casos, eles exigem jornalistas com diploma, ou seja, com o registro no Ministério de Trabalho. O sindicato está exigindo das empresas de comunicação que contratem profissionais. A área de assessoria de imprensa está crescendo muito também, criando novos postos de trabalho, mas acredito que os meios tradicionais ainda oferecem muitas vagas.

CS: Vamos falar agora sobre uma polêmica: o piso salarial. Por que a diferença de piso de estado para estado? Santa Catarina continua com o piso de R$ 1.010,00?
RL: Isso, R$ 1.010. No mês de maio nós encaminhamos para a assembléia um novo projeto de piso salarial, e estamos aguardando a resposta. A proposta da categoria é um piso de cerca de R$ 1.200,00, para uma jornada de 30 horas semanais. A diferença nos estados acontece justamente por causa de empresas de comunicação existentes nos locais. São basicamente elas quem decidem o preço. No Paraná, na cidade de Londrina, aconteceu uma situação contrária. Um banqueiro abriu um jornal naquela região, e não se importou com o piso dos jornalistas. O resultado foi que ele paga um valor maior que o piso do estado do Paraná. Por isso, o Paraná tem um piso salarial, e a cidade de Londrina tem outro.

Reportagem realizada para a disciplina de Jornalismo de Revista: maio de 2007

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